Com uma proposta bem
distinta dos seus últimos trabalhos, “Kisses on the Bottom”, de 2012 e “Memory
Almost Full”, de 2007, o disco sugere o que diz o próprio título, novo,
claro que nada que nunca tenha sido feito antes na história da música,
obviamente, porém é um disco recheado de sintetizadores e variados efeitos, com
baladas clássicas no seu estilo, belas harmonias vocais, guitarras, uma levada
pop e a qualidade genial deste que pode ser o maior nome da música no século
XX.
O primeiro single, “New”, foi lançado um pouco antes do lançamento do disco, que foi em 11 de outubro de
2013, e remete bastante ao som dos Beatles, principalmente no disco “Revolver”, de 66, a sua levada, seus efeitos e sonoridade, como se hoje fosse possível
extrair exatamente o que queria Paul naqueles dias, porém de maneira absurdamente
mais facilitada, devido a toda a tecnologia disponível nos dias atuais, mas é
claro que, sem as alucinantes experiências sensoriais vivida pelos Beatles nos anos 60, o que dá um clima único daquele tempo à sua obra, e que não retornará.
Se pensarmos que também nos anos 80 havia essa sensação de “o futuro chegou”,
com exagero nos efeitos e possibilidades no estúdio, este disco é bastante
coeso, pois divide bem as proporções sobre efeitos eletrônicos e a simplicidade
rústica clássica do rock, bem diferente daquele super mal recebido disco de 86,
“Press to Play”, onde este também intenciona soar contemporâneo e atual, porém
o que vemos hoje é um disco que compete no máximo com algum disco chato do “Tears
For Fears”.
Há também o single “Queenie
Eye”, com a levada bem marcada pelo piano, assim como em várias outras faixas do disco, típico de McCartney, onde também há a harmonia entre os sintetizadores,
harmonias vocais e efeitos variados. Em um ritmo dançante, a música representa
bem o estilo do disco e sua euforia. Também há o vídeo para esta faixa, com
participações de estrelas hollywoodianas, entre outras, tal como Johnny Depp, que também
aparece no recente clip de “My Valentine”.
A produção ficou a
cargo de quatro produtores, alguns
filhos de amigos seus, também dando a nítida
intenção de atualidade e mistura de influências. O time conta com Ethan Johns,
que produziu Kings of Leon e também é filho de Glyn Johns, engenheiro que trabalhou
com os Beatles e também com os Wings; Giles Martin, este filho do mestre
George Martin; Mark Ronson, que produziu Amy Winehouse e por último Paul Epworth, este que
produziu a cantora Adele. Com quatro diferentes produtores, o disco muda de
clima e de atmosfera conforme seguimos ouvindo-o, porém mantendo sempre
presente o clima de pop e de rock, os efeitos moderados e os belos preenchimentos
vocais, característicos em toda a carreira do mestre, exceto se falarmos de sua
obra erudita.
Talvez não seja seu
melhor disco na década de 00, porém é muito rico, um disco feliz (exceto talvez
pela última faixa, “Struggle”, que soa bastante melancólica), que aponta o quão
longínqua ainda será a invejável carreira de McCartney, que esbanja saúde,
simpatia e genialidade, dando a garantia de um futuro ainda promissor e de
sucesso, e também esperanças de mais shows ao redor do planeta.
A atmosfera
emburrecedora debruça-se sobre minha cabeça novamente. Às vezes, parece que
vivemos em um mundo; uma realidade, com inúmeras dimensões que, uma vez justapostas,
apontam o atrito inevitável dessas dimensões, a sua impossível possibilidade de
coexistirem, o que o fazem, de fato, pois coexistem. Em questão de minutos, ou
de alguns quilômetros, atravessa-se múltiplas camadas de atmosferas culturais,
que representam o comportamento, o intelecto, a imagem visual, o vocabulário,
as vestimentas e os valores morais e sociais, causando um conflito absurdo de
diferenças que, atrasam qualquer desenvolvimento mútuo de socialização. É
absurdo como são tão distintas as noções de sentido da existência, de mundo. E
o mais incrível é a facílima capacidade de comparação destas ideias, tão
universalmente distintas e tão próximas. Famílias que discordam tanto que, em
nenhum momento sequer insinuam a ideia de família, de unidade. Pois na verdade,
o que importa mesmo é para onde vamos e o que fazemos; o que nos tornamos e somos,
e não de onde viemos, ou o que têm, ou mesmo quem são os nossos parentes
sanguíneos. Nossa origem para nada serve além de apontar nosso tipo sanguíneo
para o fim de algum transplante de órgãos, para ostensivas festas efêmeras de
casamento; aniversário, e para aborrecimentos devido a calúnias inventadas por
uns, vivida por outros e difamada por todos. A preocupação dedicada à
vestimenta, ao modo que se ganha a vida e as relações amorosas, superam
qualquer afinidade emocional e cultural entre legítimos parentes. Salvo poucas
exceções de ajuda recíproca isenta de qualquer cobrança material, porém basta
que nos afastemos de nossos parentes, que nos ajudam ou são ajudados de alguma
forma, para que as pequenas difamações surjam e por fim, para que estas inundam
os assuntos nos momentos alimentares coletivos. Almoços e jantares. É claro que
nem todas as famílias desfrutam dessa relação repugnante e melancólica, porém
em meu caso, tal como relata Henry Miller o seu, é que, sempre fui o diferente,
desde a infância, traumatizando-me uma cultura e comportamento familiar que
enaltece a burrice e a ignorância, fazendo com que, na adolescência, me
descobrisse, percebendo que não era eu o diferente, mas a família, o lugar, os
costumes daquela gente que me rodeava é que eram distintos dos meus, pois
quanto mais adulto me tornava, mais diferente deles eu ficava, e a cada dia
faço mais questão dessa diferença, desse afastamento, pois nos seus mundos
medíocres, o conhecimento é aberração, a arte é maluquice, o mundo é a
televisão e a vida é a honra de morrer trabalhado e servindo à uma mentira.
Apenas pena é o que me resta. Triste constatar valores que, uma vez sagrados,
conquistados com inúmeras batalhas; metas atingidas; aprendizados desbravados,
sejam aniquilados por uma horda de ignorância que transcende qualquer lapso de
aceitação saudável, aniquila qualquer sinal de empatia, sufoca a esperança na
humanidade.
Penso se quem
realmente teria alguma razão, algum impulso puro de seguir sua jornada, não
seriam os bêbados inveterados que bebem para viver, para seguir respirando, ao
menos nesta cidade esquecida no mapa, entre essas pessoas com número de
fabricação em série, que desenvolvem a filosofia de suas vidas pelos
ensinamentos propagados pela caixa de tela azul com o botão mágico na sala de
estar. Pois sentido, isso não faz de jeito nenhum.
Quando ouvi pela primeira vez achei desnecessária, comum, insonsa a banda Ghost, pois o som apresenta um heavy metal comum, sem quebras de ritmo, sem grandes solos e harmonias complexas e principalmente, sem um vocal poderoso, cheio de vibratos e high pitches, tal como sempre admirei no heavy metal, considerando essenciais tais técnicas "dickinsonísticas", porém eu estava enganado em relação à sua mediocridade. A banda faz sim um heavy metal de instrumental básico, porém de qualidade, mas todos sabem que o que faz o tamanho da banda, e sua fama mundial, é o visual teatral acompanhado de suas macabras e satânicas letras. Isso por si só já seria motivo de críticas, pois existem muitas bandas clássicas que já fizeram um papel teatral no palco no passado. Alice Cooper, David Bowie, Kiss, King Diamond, Slipknot e até Marilyn Manson entra na lista das bandas teatrais e cênicas na história do rock n' roll, além do gênero black metal, desde o clássico Venom até os contemporâneos e melódicos Cradle of Filth, estilo este calcado no visual e letras impressionistas, satânicas, com referências literárias e góticas, porém essa banda em questão tem sim, elementos diferenciados. O visual e letras são uma afronta direta ao clérigo cristão, todo o visual é baseado na igreja católica, tal como uma versão negativa, de outra dimensão, tipo uma anti matéria formada por átomos de potência igual, porém inversa a do vaticano e suas excentricidades, algo talvez nunca feito por outro artista de forma tão fiel, tão ferrenhamente blasfêmia (a não ser a banda sessentista The Monks, cujo visual era também inspirado em monges, porém desta, pode se dizer que foram precursoras de um proto punk nunca visto até então) e provocativa aos costumes católicos, tão presentes em certos países europeus e no Brasil. Porém no que me cabe como cantor, repito que estava enganado sobre a simplicidade do vocal da banda, pois com a ajuda de um amigo guitarrista, este que fez aulas em sua adolescência de canto gregoriano, mostrou-me a apuração de tal técnica, como é projetado o som da voz neste estilo, e toda a sua dificuldade e precisão, fato este que remeteu-me diretamente a banda citada, pois não obstante, a banda zomba de forma inteligente e apurada toda a cultura cristã, desde o visual até este estilo de canto, típico dos antigos monges europeus e que no contexto da banda exalta satanás e outras vulgaridades anti católicas (também lembrando a trilha do filme "The Omen" de 1976, no Brasil "A Profecia", de trilha sonora original composta por Jerry Goldsmith, que também consiste em canto gregoriano satânico), no entanto, apesar dessas qualidades, a sua originalidade não ultrapassa os nomes já citados aqui .
No seu disco de estréia Infestissumam (2013), podemos evidenciar esta teoria citada no texto, basta uma ligeira ouvida nas primeiras faixas e uma vista em suas performances no Youtube.
É tudo uma espécie de sonho, um insight, uma viagem do escritor dentro da própria obra que ele está desenvolvendo. A história da busca pelos culpados da morte da guria é um reflexo, uma metáfora, uma versão lúgubre e sangrenta da culpa que ele sente pela morte da própria filha, a busca do porquê. Como se ele transferisse esse sentimento para a sua própria arte; sua obra, recriando um cenário comum na sua literatura, porém buscando novas inspirações e personagens em sua própria experiência pessoal e artística.
Gostei do filme, tem uma fotografia linda, com muito fundo chroma, um roteiro às vezes meio confuso, mas interessante, com várias citações literárias e estranhezas que, particularmente, gostei bastante. De qualquer forma, é um filme esquisito, diferente de outros premiados trabalhos do mestre Coppola, no entanto, acho bastante válida a sessão. E Val Kilmer não está horrível e ridículo, tal como citam alguns críticos na web, pelo contrário, surpreendeu-me pela atuação em um gênero cujo não lembro este haver trabalhado antes. Há algumas cenas forçadas, tal como quando a personagem Flamingo salta de motocicleta, fazendo talvez uma alusão a Sin City, ou aos quadrinhos em geral, mas que no contexto do filme não ficou, assim, "boa".Também sequências "flutuantes", vagas, meio desconectas, alguns clichês básicos de maquiagens e visuais também são constantes, porém de maneira geral, como disse, é um filme muito bom. Para quem aprecia literatura fantástica e gótica, pode ser uma boa inspiração, inclusive a personagem principal lida com "aparições" de Edgar Allan Poe, cujo o ajuda a desvendar o mistério e consequente conclusão de sua obra, Poe então interpretado por Ben Chaplin. Recomendo.
Crueldade, surrealismo. Um perfil insano traçado de uma
personagem quase impossível de conceber em um mundo real, no entanto, ao mesmo
tempo, tão intrincada no cotidiano de uma Inglaterra por ora pacífica, simplista, retratada dos altos de penhascos onde veranistas tiram suas
tranquilas férias em trailers alugados, inalando a maresia e uma paz interiorana
dos anos 70, contrastando com uma caótica e corporativista Londres do marketing
exacerbado inchado de tantas empresas e produtos efêmeros. Dentre isto tudo, um
jovem, que vira homem, que pode ser louco, maníaco, esquizofrênico, mas que se
auto denomina "eidético", uma condição única de visão ultra dimensional, de
memória fotográfica, de leitura dinâmica e de um poder imaginativo que
transcende qualquer noção mística de
paranormalidade. E como se não bastasse, o guia, guru que direciona, oprime,
esclarece e compartilha deste dom com a
personagem, que o conhece e o inicia ainda nos primeiros anos de vida, que o
segue para a vida adulta, às vezes
parecendo ser o ser maléfico que oprime,
às vezes atuando como pai adotivo, às vezes como o professor arbitrário, com um
vocabulário único e vestimentas elegantíssimas, sempre carregado de seus
charutos fumacentos. Este ser no livro, entre outros nomes, chama-se O
Controlador Gordo...
Desenvolvido de maneira muito original, criando um diálogo bastante
pessoal entre o protagonista e o leitor, Minha Ideia de Diversão é um livro bizarro
e por que não, genial. Escrito de forma inteligente, alternando o texto entre o
vulgar e o marginal, para o requintado e o intelectual, cheio de citações
literárias, adjetivos absurdos e imagens quase inimagináveis, ele te confunde,
te desdobra, te faz rir, te surpreende e te enoja, porém com um ritmo de prosa ligeiro e
instigante, comparado inclusive por críticos a Shakespeare, tornando a obra indispensável para quem acha que já leu de tudo.
Disse o autor que queria escrever um livro que assustasse as
pessoas, para mim, a catarse foi causada pela confusão mental diante de imagens
surrealistas, que te assustam pela complexa descrição detalhada da loucura, às
vezes te confortando pela possibilidade de alucinação, e também às vezes, te
tornando cúmplice da crueldade e da perversidade, aberrações talhadas como
desejos comuns de uma mente simplesmente solitária e inquieta.
Pesquise sobre a obra e seu autor, vale muito a pena!!